Os benefícios da recreação infantil aliada à Equoterapia para o tratamento do Transtorno do Espectro Autista (TEA)
Criança em sessão de equoterapia acompanhada por duas monitoras
Fonte: Imagem gerada por IA (Gemini, 2026)
Por Gabriella Brás Monteiro Alves (gabriellabras.bambui@gmail.com)
De acordo com a Associação Nacional de Equoterapia (ANDE – BRASIL), a equoterapia é um método terapêutico e educacional, que utiliza o cavalo dentro de uma abordagem interdisciplinar, nas áreas de saúde, educação e equitação, buscando o desenvolvimento biopsicossocial de pessoas com deficiência. O cavalo atua como agente promotor de benefícios físicos, psíquicos e sociais, e como instrumento pedagógico. Essa atividade exige a participação do corpo inteiro, contribuindo para o desenvolvimento de força muscular, concentração, relaxamento, consciência corporal, coordenação motora e equilíbrio.
Os ganhos obtidos através da Equoterapia relacionam-se aos movimentos tridimensionais do cavalo, correspondentes aos movimentos pélvicos da marcha humana. Variações do passo, velocidade e direção estimulam respostas de equilíbrio sobre o centro de gravidade do praticante, facilitando a estabilização postural e sua reorganização. Além disso, a interação com o cavalo — primeiros contatos, cuidados preliminares, montar e manuseio — desenvolve novas formas de socialização, comunicação, autoconfiança e autoestima, permitindo maior autoconhecimento ao praticante com deficiência.
Nesse sentido, a prática da equoterapia, aliada às atividades de recreação em cima do cavalo, mostra-se como potencial ferramenta no tratamento de crianças com o Transtorno do Espectro Autista (TEA). O autismo é uma condição neurológica que prejudica a organização de pensamentos e emoções, caracterizando-se por dificuldade de comunicação e socialização, limitação do uso da imaginação, e comportamento restrito e repetitivo. Sinais comuns do TEA incluem atraso na fala; dificuldade em participar de atividades grupais e interpretar expressões faciais; falta de “filtro social”; incômodo em ambientes sociais; seletividade sensorial com alimentos; problemas gastrointestinais ligados à ansiedade; acessos de raiva, hiperatividade, passividade e déficit de atenção; sensibilidade a ruídos e mudanças; falta de empatia em certas situações; e alteração na percepção de dor e temperatura.
O TEA é classificado em três níveis de suporte, de acordo com a necessidade de apoio: Nível 1 (autismo leve, pouco suporte), Nível 2 (autismo moderado, suporte razoável) e Nível 3 (autismo severo, muito suporte). O nível de suporte não define o indivíduo por completo, pois o transtorno manifesta-se de modo singular em cada pessoa.
Tendo em vista as questões supracitadas, a equoterapia, por si só, já oferece estímulos motores e cognitivos ao praticante com TEA, através do andar sequenciado do cavalo. Todavia, quando aliada à recreação infantil, amplia-se essa oferta: diversos materiais lúdicos podem complementar a intervenção, tais como bolas, chapéus, figuras com velcro, argolas, livros, músicas e brinquedos variados, tornando a terapia mais atraente e funcional, conforme as necessidades do praticante. Assim, há maior entrada sensorial em vários sistemas: o vestibular (favorecido na montaria invertida), a propriocepção (ênfase em quatro apoios sobre o cavalo), o tátil (quando o praticante toca diferentes partes do animal); e estímulos olfativos e visuais por estarem em contato com a natureza.
Para a criança com TEA, o cavalo possibilita vivenciar experiências verdadeiras de afeto, aceitação e descoberta mútua, facilitando a expressão de emoções e sentimentos conforme suas condições e interesses. A sequência de atividades também incentiva o trabalho em grupo, favorecendo a ampliação de vínculos, socialização, autocontrole, descoberta do outro e aceitação de regras; por meio de jogos e brincadeiras nos quais as crianças sinalizam continuar, interromper ou modificar a atividade.
Figura 1 - Benefícios da recreação infantil aliada à Equoterapia para o tratamento do TEA
Fonte: Imagem gerada por IA (ChatGPT, 2026)
Portanto, por meio de atividades lúdicas e recreativas durante sessões de Equoterapia, é possível proporcionar às crianças com TEA: manutenção de vínculos; desenvolvimento de motricidade ampla e fina, flexibilidade, noção espacial, força muscular e autonomia; melhora do equilíbrio, autoestima, comunicação verbal e não verbal; aumento da criatividade, concentração e memorização; e minimização dos distúrbios comportamentais, benefícios alcançados de forma mais acessível e prazerosa graças à ludicidade, melhorando integralmente a qualidade de vida dos praticantes.
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