Capacitação de funcionários de um laticínio em Bambuí-MG: A importância da contagem padrão em placas
Alunos do IFMG-Campus Bambuí junto ao professor Dr. Thiago Moreira dos Santos e aos colaboradores do laticínio que participaram da ação de extensão
Arquivo pessoal
Por Geovanna Miranda, Danielle Flávia Santos Pereira, Samira Leal Santos, Flávia Magela de Castro, Thiago Moreira dos Santos (thiagomoreira.santos@ifmg.edu.br)
A cadeia produtiva do leite tem grande importância para a economia do país, tendo Minas Gerais como um dos estados de destaque na produtividade nacional. O mercado em ascensão tem se tornado cada vez mais exigente nos quesitos de qualidade, o que tem tornado necessário o conhecimento mais técnico de forma a reduzir a contaminação e garantir a qualidade desse alimento e a segurança à população.
A Contagem Padrão em Placas (CPP) quantifica o número total de bactérias aeróbias do leite cru e consiste em um parâmetro microbiológico relevante para a determinação da qualidade do leite, estando regulamentada por diversas Instruções Normativas do Ministério de Agricultura Pecuária e Abastecimento (MAPA). O limite de 300.000 UFC/mL, estabelecido pela Instrução Normativa Número 76 de 26 de novembro de 2018, para o leite cru refrigerado, não é arbitrário: ele foi definido com base em critérios microbiológicos que asseguram a qualidade mínima necessária para o processamento industrial e a segurança do consumidor.
Dentre os principais riscos relacionados a uma elevação da CPP do leite, estão as enterotoxinas termoestáveis produzidas por cepas de Staphylococcus enterotoxigênicos, como S. aureus, capazes de resistir a processos como pasteurização, representando um risco à saúde pública. Além disso, a elevação da CPP impacta também o rendimento industrial, pois os microrganismos podem deteriorar nutrientes essenciais como gordura e proteínas, comprometendo a produção de iogurtes, queijos e doces, aumentando as perdas e reduzindo o tempo de prateleira. Ademais, bactérias psicotróficas, como as do gênero Pseudomonas, proliferam-se em baixas temperaturas e produzem enzimas deteriorantes, lipases e proteases também termoestáveis, que provocam alterações sensoriais, como sabores rançosos ou de sabão, mesmo após tratamento térmico. Esses fatores reforçam a importância desse parâmetro e de práticas rigorosas de higiene e refrigeração ao longo da cadeia produtiva.
A ação de extensão foi realizada por meio de um curso de capacitação voltado à qualidade microbiológica do leite cru e à CPP, tendo como público-alvo os colaboradores de um pequeno laticínio localizado no município de Bambuí, sob inspeção estadual e responsável pela produção de derivados lácteos destinados à região. A atividade foi promovida pelos discentes dos cursos de Medicina Veterinária e Zootecnia do Instituto Federal de Minas Gerais - Campus Bambuí, dentro das atividades propostas na disciplina de Métodos de Controle e Qualidade do Leite, ministrada pelo Professor Dr. Thiago Moreira dos Santos.
O projeto desenvolveu-se em quatro etapas: (i) um diagnóstico inicial, com observação das práticas higiênico-sanitárias e do manejo de equipamentos no laticínio; (ii) ações educativas, compostas por palestras e rodas de conversa adaptadas ao perfil dos trabalhadores (Figura 2); (iii) avaliação do aprendizado por meio de questionário e discussões coletivas; e (iv) disseminação dos resultados, com elaboração de relatório técnico e apresentação interna. O referencial teórico apoiou-se nas Instruções Normativas nº 76/2018 e nº 77/2018, além de pesquisas recentes sobre a qualidade do leite e boas práticas agropecuárias.

Figura 2- Alunos do IFMG-Campus Bambuí promovendo palestra e roda de conversa com colaboradores do laticínio que participaram da ação de extensão
Fonte: Arquivo pessoal
A capacitação no laticínio de Bambuí-MG abordou o fato de que o controle da CPP é fundamental para garantir a qualidade do leite e a segurança dos consumidores. As atividades permitiram identificar falhas, reforçar boas práticas e promover maior conscientização dos colaboradores sobre higiene, refrigeração e manejo adequado. A ação de extensão fortaleceu a integração entre ensino e comunidade, papel fundamental dos institutos federais, contribuindo para a formação profissional dos discentes aplicada à realidade do mercado, para a melhoria da qualidade dos derivados disponíveis ao consumidor e na valorização profissional dos trabalhadores envolvidos.
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