Jack Responde: Todos os animais sentem dor?
Olá, caros Leitores! Nesta semana estaremos tirando uma dúvida de uma leitora que gostaria de saber: Todos os animais sentem dor? Para nos ajudar com a resposta, contaremos com a colaboração da professora Joana Zafalon e do Rafael Antonio.
Jack responde: Todos os animais sentem dor?
Por: Rafael Antonio e Joana Zafalon Ferreira (joana.zafalon@ufjf.br)
Você já observou algumas mudanças de comportamento em seu cachorro ou seu gato? Já viu seu pet se isolar, perder o apetite e até mostrar agressividade? Estes sinais, são somente alguns dos que podem nos levar a desconfiar que nossos companheiros animais podem estar experienciando qualquer tipo de dor.
Mas todos os animais sentem dor? A resposta para essa pergunta é simples: SIM! Todos os animais sentem dor,não apenas os cães e os gatos,a diferença para nós, seres humanos, é como os animais demonstram estar sentindo essa dor.
Para que qualquer ser vivo sinta e processe a dor,deve ocorrer um “caminho” do estímulo doloroso no organismo animal. O primeiro passo é a transdução de um estímulo (térmico, mecânico ou químico), que é sentido na pele do animal, e transformado em um estímulo elétrico.
Em seguida, ocorre a transmissão do estímulo para a medula espinhal, onde ocorre a modulação, que é um meio pelo qual há a regulação da intensidade do estímulo doloroso, para então ser projetado para o sistema nervoso central onde ocorre o último processo, a percepção do estímulo. Assim, tanto para animais quanto para seres humanos, a fisiologia da dor é a mesma (Figura 1).

Figura 1: Fisiologia do estímulo doloroso.
Fonte: Autores.
Ao avaliar a condição de um paciente, devemos classificar a dor quanto ao tempo de permanência, localização e intensidade. Quando falamos de tempo, podemos dividir entre dor aguda, a qual tem início repentino, e crônica, quando a dor ultrapassa o próprio tempo previsto de cura.
A localização pode ser subdividida em três, sendo a primeira uma dor somática, que envolve pele, musculatura e ossos. A segunda é a dor visceral, que envolve órgãos e cavidades do corpo, e, a terceira é a neuropática, também conhecida como dor fantasma, que ocorre devido a alguma lesão de nervo.
Por fim, falando de intensidade, a dor pode ser leve, moderada ou intensa. Exemplos destas intensidades de dor podem ser orquiectomia eletiva, cirurgia de cavidade abdominal e cirurgia ortopédica, respectivamente.
Entretanto, para que seja possível tratar a dor dos animais adequadamente, é preciso avaliar e identificar a intensidade da dor de maneira individual, considerando as particularidades das diferentes espécies animais.
Atualmente, para avaliar a dor de cães e gatos, pode ser utilizada a escala Glasgow, a qual consiste em um questionário de somatório de pontos, que avalia diferentes parâmetros para estimar a presença ou não de dor. No caso de gatos, a avaliação foca em posicionamento de orelhas, bigodes e olhos. Já nos cães, a avaliação consiste em observar vocalização, comportamento em relação à área dolorida ou ferida, movimentação ao caminhar no chão, reação ao toque na ferida e estado geral do animal.
O site animalpain.org é um site que pode ser consultado por profissionais e responsáveis por animais e reúne orientações passo a passo de como promover a correta e eficiente avaliação da dor em pacientes de diferentes espécies animais, como bovinos, equinos, suínos e ratos. O site apresenta não só as escalas para as espécies, mas também vídeos que auxiliam no aprendizado do reconhecimento da dor.
O tratamento da dor é extremamente importante para dar qualidade de vida para o paciente e evitar que se torne uma doença (dor crônica). Dessa forma, é importante lembrar que todos os animais sentem dor e merecem o tratamento adequado e os cuidados necessários para as diferentes situações que os afligem.
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