Terça, 20 Janeiro 2026 14:49

Jack Responde: Todos os animais sentem dor?

Jack imaginando se os animais sentem dor. Jack imaginando se os animais sentem dor. Amanda Iamaguchi

Olá, caros Leitores! Nesta semana estaremos tirando uma dúvida de uma leitora que gostaria de saber: Todos os animais sentem dor? Para nos ajudar com a resposta, contaremos com a colaboração da professora Joana Zafalon e do Rafael Antonio.

Jack responde: Todos os animais sentem dor?

Por: Rafael Antonio e Joana Zafalon Ferreira (joana.zafalon@ufjf.br)

Você já observou algumas mudanças de comportamento em seu cachorro ou seu gato? Já viu seu pet se isolar, perder o apetite e até mostrar agressividade? Estes sinais, são somente alguns dos que podem nos levar a desconfiar que nossos companheiros animais podem estar experienciando qualquer tipo de dor.

Mas todos os animais sentem dor? A resposta para essa pergunta é simples: SIM! Todos os animais sentem dor,não apenas os cães e os gatos,a diferença para nós, seres humanos, é como os animais demonstram estar sentindo essa dor.

Para que qualquer ser vivo sinta e processe a dor,deve ocorrer um “caminho” do estímulo doloroso no organismo animal. O primeiro passo é a transdução de um estímulo (térmico, mecânico ou químico), que é sentido na pele do animal, e transformado em um estímulo elétrico.

Em seguida, ocorre a transmissão do estímulo para a medula espinhal, onde ocorre a modulação, que é um meio pelo qual há a regulação da intensidade do estímulo doloroso, para então ser projetado para o sistema nervoso central onde ocorre o último processo, a percepção do estímulo. Assim, tanto para animais quanto para seres humanos, a fisiologia da dor é a mesma (Figura 1).

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Figura 1: Fisiologia do estímulo doloroso.
Fonte: Autores.

Ao avaliar a condição de um paciente, devemos classificar a dor quanto ao tempo de permanência, localização e intensidade. Quando falamos de tempo, podemos dividir entre dor aguda, a qual tem início repentino, e crônica, quando a dor ultrapassa o próprio tempo previsto de cura.

A localização pode ser subdividida em três, sendo a primeira uma dor somática, que envolve pele, musculatura e ossos. A segunda é a dor visceral, que envolve órgãos e cavidades do corpo, e, a terceira é a neuropática, também conhecida como dor fantasma, que ocorre devido a alguma lesão de nervo.

Por fim, falando de intensidade, a dor pode ser leve, moderada ou intensa. Exemplos destas intensidades de dor podem ser orquiectomia eletiva, cirurgia de cavidade abdominal e cirurgia ortopédica, respectivamente.

Entretanto, para que seja possível tratar a dor dos animais adequadamente, é preciso avaliar e identificar a intensidade da dor de maneira individual, considerando as particularidades das diferentes espécies animais.

Atualmente, para avaliar a dor de cães e gatos, pode ser utilizada a escala Glasgow, a qual consiste em um questionário de somatório de pontos, que avalia diferentes parâmetros para estimar a presença ou não de dor. No caso de gatos, a avaliação foca em posicionamento de orelhas, bigodes e olhos. Já nos cães, a avaliação consiste em observar vocalização, comportamento em relação à área dolorida ou ferida, movimentação ao caminhar no chão, reação ao toque na ferida e estado geral do animal.

O site animalpain.org é um site que pode ser consultado por profissionais e responsáveis por animais e reúne orientações passo a passo de como promover a correta e eficiente avaliação da dor em pacientes de diferentes espécies animais, como bovinos, equinos, suínos e ratos. O site apresenta não só as escalas para as espécies, mas também vídeos que auxiliam no aprendizado do reconhecimento da dor.

O tratamento da dor é extremamente importante para dar qualidade de vida para o paciente e evitar que se torne uma doença (dor crônica). Dessa forma, é importante lembrar que todos os animais sentem dor e merecem o tratamento adequado e os cuidados necessários para as diferentes situações que os afligem.

Última modificação em Quarta, 21 Janeiro 2026 15:54

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