Jack Reponde: O que é discalculia?
Olá, caros leitores!
No texto desta semana responderemos a uma dúvida de leitor, que gostaria de saber do que ser trata a discalculia! Para nos ajudar com a resposta, contaremos com a colaboração do professor de matemática Marcos Alves.
Jack Responde: O que é discalculia?
Por Marcos Alves de Farias (marcos.farias@ifmg.edu.br)
Oriundo da junção dos termos “dis”, que do grego significa “mal”, e “calculare”, que do latim corresponde a “contar”, a palavra discalculia traz “contar mal” como significado literal. Segundo os especialistas, a discalculia é um transtorno de aprendizagem causado por uma má-formação neurológica, que se manifesta como uma dificuldade em se aprender e assimilar conceitos referentes à matemática.
O termo discalculia foi primeiro utilizado pelo Dr. Ladislav Kosc em 1974, que utilizou esta terminologia para diferenciar o transtorno das outras dificuldades em matemática que geralmente os alunos adquirem ao longo do período escolar. Em seus estudos, o doutor Kosc classificou a discalculia em seis tipos, a saber:
Discalculia verbal: é a dificuldade para nomear as quantidades matemáticas, os números, os termos, os símbolos e as relações.
Discalculia practognóstica: é caracterizada pela dificuldade em enumerar, comparar e manipular objetos reais ou imagens, matematicamente.
Discalculia léxica: é a dificuldade na leitura e compreensão de símbolos matemáticos.
Discalculia gráfica: corresponde a dificuldade na escrita de símbolos matemáticos.
Discalculia ideognóstica: é a dificuldade em fazer operações mentais e na compreensão de conceitos matemáticos.
Discalculia operacional: representa a dificuldade na execução de operações e na realização de cálculos numéricos.
Além da classificação em tipos, é possível separar clinicamente a discalculia em leve, moderada e grave. Num nível leve, entende-se que o discalcúlico tem maiores possibilidades de progressos com um tratamento terapêutico. No médio, o indivíduo apresenta uma certa dificuldade em absorver as atividades de intervenção. Já no caso grave, há uma existência de lesão neurológica, que se traduz em déficit intelectual para o portador.
Segundo especialistas, há relatos que cerca de 3% a 6% das crianças tenham discalculia. Por se tratar de um transtorno pouco conhecido, e que se torna mais observável na fase escolar da criança, é fundamental que o professor em sala de aula fique atento às dificuldades de seus alunos, pois geralmente este é o primeiro a indicar a possibilidade de existência do transtorno.
Na literatura é informado que, de acordo com a faixa etária da criança, algumas habilidades cognitivas relacionadas à matemática precisam ser alcançadas.
Faixa etária de 3 a 6 anos – habilidades esperadas:
- Ter compreensão dos conceitos de igualdade e diferença, curto e longo, grande e pequeno, menos que e mais que;
- Classificar objetos pelo tamanho, cor e forma;
- Compreender a correspondência 1 a 1;
- Reconhecer números de 0 a 9 e contar até 10;
- Nomear formas;
- Reproduzir formas e figuras.
Faixa etária de 6 a 12 anos – habilidades esperadas:
- Agrupar objetos de 10 em 10;
- Ler e escrever de 0 a 99;
- Nomear o valor do dinheiro;
- Dizer as horas;
- Realizar operações aritméticas básicas;
- Começar a usar mapas;
- Compreender metades, quartas partes e números ordinais.
Faixa etária de 12 a 16 anos – habilidades esperadas:
- Capacidade para usar números na vida cotidiana;
- Uso de calculadoras;
- Leitura de quadros, gráficos e mapas;
- Entendimento do conceito de probabilidade;
- Desenvolvimento de problemas.
Na faixa etária correspondente, uma vez observado atrasos ou incapacidades na aquisição das habilidades, uma equipe multidisciplinar, composta por psicopedagogos e neurologistas, é necessária para que o diagnóstico da discalculia seja emitido e com isso um tratamento, que dependerá de cada caso, iniciado.
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