Segunda, 30 Março 2026 17:05

Jack Responde: Meu pet precisa ser operado e tenho medo da anestesia. Como ela acontece?

Jack na companhia de um pet entubado. Jack na companhia de um pet entubado. Amanda Iamaguchi

 Olá, caros leitores! No texto desta semana, a professora Joana Zafalon e a estudante Ana Luiza Schlittler explicam como é realizada a anestesia em pets para procedimentos cirúrgicos.

Jack responde: Meu pet precisa ser operado e tenho medo da anestesia. Como ela acontece?
Por: Ana Luiza Schlittler Santos; Joana Zafalon Ferreira (joana.zafalon@ufjf.br)

É comum sentir medo ao saber que nosso pet precisa passar por um procedimento cirúrgico, principalmente pela necessidade de submeter o paciente à anestesia. Neste momento surgem algumas perguntas: A anestesia é de fato segura? Quais são os riscos e como minimizá-los? O que acontece com o animal sob o efeito dos anestésicos? Vamos entender como a anestesia acontece?

A anestesia veterinária é realizada por técnicas que induzem inconsciência, analgesia e relaxamento muscular com o intuito de viabilizar a realização de procedimentos invasivos ou desconfortáveis e é imprescindível para evitar dor, incômodo ou desconforto, promover segurança para a equipe médica e bem-estar para o paciente durante o procedimento.

Nenhuma anestesia é 100% segura, todo procedimento anestésico apresenta riscos, contudo, é possível minimizá-los quando realizado de forma correta e por profissionais capacitados.

Inicialmente o paciente é submetido ao exame clínico, exame físico e exames complementares, para verificar seu estado de saúde geral, avaliando funções cardiovasculares, respiratórias, hepáticas e renais e possíveis comorbidades que influenciam na anestesia. Em seguida é realizada a classificação do risco anestésico e elaboração do protocolo, considerando as particularidades e especificidades do animal e do procedimento ao qual será submetido.

O paciente recebe a medicação pré-anestésica (MPA) por via intramuscular, utilizando medicamentos para causar relaxamento, analgesia, redução do medo, do estresse e da excitação, permitir indução e recuperação suaves, maior segurança na manipulação do paciente e a cateterização do acesso venoso.

Depois o anestésico intravenoso é administrado para induzir a perda da consciência e a anestesia é mantida pela anestesia intravenosa ou inalatória. Na anestesia intravenosa a manutenção é pela administração dos fármacos anestésicos exclusivamente por via intravenosa (propofol, alfaxalona, cetamina e adjuvantes). Já na inalatória é mantida pelo fornecimento de anestésicos (isofluorano e sevofluorano) pela respiração.

Nas anestesias gerais o animal perde os reflexos protetores de tosse e deglutição, tornando-se suscetível a obstrução da via respiratória e broncoaspiração de secreções, sangue, vômito e outros. Por isso, realiza-se a introdução de um tubo pela boca do animal até a traqueia, mantendo a via aérea funcional, proporcionando sua vedação e garantindo a entrada de ar nos pulmões. Além disso, mantém a via aérea patente para suporte ventilatório e fornecimento de oxigênio durante o procedimento e em situações emergenciais.

A realização da anestesia local também é imprescindível, porque mesmo inconsciente, o sistema nervoso do paciente ainda percebe os estímulos dolorosos. Os bloqueios locais são realizados com lidocaína, ropivacaína, levobupivacaína ou bupivacaína e podem ser tópicos, infiltrativos e perineurais, como a técnica peridural, parecida com a raquidiana realizada nos humanos.

Além disso, impedir que a dor não ocorra e seja percebida é importante para que não ocorram alterações nos parâmetros vitais, como aumento da frequência cardiorrespiratória e da pressão arterial, além de facilitar o tratamento da dor no pós-operatório.

Para proporcionar maior segurança ao procedimento, o monitoramento constante do plano anestésico, frequência e ritmo cardíaco, pressão arterial, frequência e amplitude respiratória, saturação de oxigênio nas hemácias, temperatura corporal e débito urinário do paciente é importante, pois permite prevenção ou tratamento de alterações que impliquem em dano ou risco à vida do animal. E ao final da cirurgia, o paciente continua sendo acompanhado na recuperação anestésica até estar apto para voltar para casa!

Como você viu, um procedimento anestésico é delicado, complexo e possui riscos, no entanto, os riscos são minimizados com a realização de exames laboratoriais de acordo com as necessidades dos pacientes, a escolha de protocolos individualizados e a presença de profissionais capacitados. Não deixe de cuidar do seu pet e, na dúvida, sempre converse como anestesista responsável pelo procedimento!

Última modificação em Terça, 31 Março 2026 13:33

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