Segunda, 24 Novembro 2025 18:35

JACK RESPONDE: Como é realizada a intubação orotraqueal em aves?

Jack realizando intubação em ave. Jack realizando intubação em ave. Amanda Iamaguchi

Olá, caros Leitores! Nesta semana estaremos tirando uma dúvida de um leitor que gostaria de saber como é realizada a intubação orotraqueal em aves. Para nos ajudar com a resposta, contaremos com a colaboração da professora Joana Zafalon e da Alice Gonçalves Braga.

Como é realizada a intubação orotraqueal em aves?


Por  Alice Gonçalves Braga; Joana Zafalon Ferreira

joana.zafalon@ufjf.br


O aparelho respiratório das aves possui particularidades anatômicas e fisiológicas que o tornam único. Diferente dos mamíferos, esses animais não possuem diafragma: sua cavidade é única, chamada celomática, e a respiração depende exclusivamente dos músculos peitorais. Além disso, as aves apresentam pulmões rígidos e sem alvéolos. As trocas gasosas acontecem em capilares aéreos, enquanto os sacos aéreos funcionam como reservatórios de ar, garantindo um fluxo contínuo durante todo o ciclo respiratório.


Essas diferenças impactam diretamente a anestesia e os cuidados médicos. Na intubação, por exemplo, existem peculiaridades importantes: as aves não têm epiglote, o que facilita a visualização da glote, localizada na base da língua (Figura 1), o acesso também é facilitado pela ampla abertura de boca, embora em ordens como galiformes e psitacídeos ela possa ser mais restrita. Por essas características, a intubação nesses animais costuma ser mais simples do que em mamíferos.

 Glote_de_ave.pngFigura 1: Glote de ave
Fonte: Joana Zafalon Ferreira

Contudo, as aves estão mais sujeitas a algumas complicações transantésicas, como a broncoaspiração, devido a dois pontos: a presença da coana, uma fenda que conecta diretamente a cavidade oral com a nasal e o fato de possuir anéis traqueais completos, o que impede o uso do balonete (cuff) dos tubos endotraqueais. O balonete é uma estrutura inflável presente em algumas sondas endotraqueais, que veda a traqueia, prevenindo a aspiração de conteúdo em caso de regurgitação; entretanto, em animais com a traqueia rígida pode causar lesões, sendo utilizadas sondas sem o balonete (cuff), o que aumenta o risco de broncoaspiração. Por isso, recomenda-se o uso do maior tubo compatível com o paciente, sem balonete, ajudando a vedar a passagem de ar entre a cavidade oral e traqueal (Figura 2), outra recomendação é manter o animal em decúbito lateral.

Intubação_em_ave_com_sonda_endotraqueal_sem_balonete.pngFigura 2: Intubação em ave com sonda endotraqueal sem balonete.
Fonte: Joana Zafalon Ferreira 

Por fim, essas adaptações anatômicas mostram como a prática veterinária em aves exige técnica e conhecimento específicos para garantir o bem-estar desses animais, e que para um procedimento anestésico de sucesso é extremamente importante considerar as particularidades de cada espécie.

Última modificação em Quinta, 27 Novembro 2025 15:11

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