Super-Gambá: educação ambiental e valorização da fauna sinantrópica em Bambuí
Figura 1: Roda de conversa inicial sobre os gambás no contexto urbano realizada na Escola Municipal Dulcinéia Gomes Torres, no município de Bambuí (MG).
Autoras (2025).
Por: Mércia Neves Teixeira, Ana Júlia Barbieri Justino, Laura Amorim, Maria Olívia Oliveira, Dalila de Fátima Ferreira (dalila.ferreira@ifmg.edu.br)
A expansão das cidades e a fragmentação dos habitats aproximam cada vez mais os animais silvestres do cotidiano das pessoas. Nesse cenário, destacam-se os gambás com sua notável capacidade de adaptação ao ambiente urbano, sendo comumente encontrados em quintais, jardins, praças e demais áreas próximas às residências. Esses pequenos marsupiais exercem funções ecológicas fundamentais para o equilíbrio dos ecossistemas urbanos, pois atuam no controle de escorpiões, aranhas, serpentes e carrapatos, além de contribuir para a dispersão de sementes, auxiliando na regeneração da vegetação.
Apesar disso, os gambás são muitas vezes vistos de forma negativa pela população, o que pode resultar em reações de medo, apreensão e até agressões. Dessa forma, compreender a importância dos gambás nos ambientes urbanos se torna essencial para promover uma convivência mais harmoniosa entre os seres humanos e esses animais silvestres.
É neste contexto que surge o projeto de extensão “Super-Gambá: herói da natureza”, idealizado e executado por discentes do Grupo de Estudos em Animais Silvestres (GEAS), vinculado ao Instituto Federal de Minas Gerais (IFMG) – Campus Bambuí. A iniciativa visa promover a conscientização ambiental e o respeito à fauna silvestre, com foco nos gambás, animais frequentemente encontrados em áreas urbanas e ainda pouco compreendidos pela população.
Até o momento, a proposta foi aplicada às crianças atendidas por instituições do município de Bambuí (Figura 1). Durante a execução das atividades do projeto, as crianças são incentivadas a compartilhar suas experiências e percepções prévias sobre os gambás, um momento de troca que revela como a visão social sobre esses animais é construída e possibilita reflexões importantes sobre preconceitos e desinformação.
As ações são desenvolvidas por meio de metodologias participativas e lúdicas de educação ambiental, buscando aproximar o conhecimento científico da realidade do público infantil. Entre as estratégias utilizadas destacam-se rodas de conversa, atividades artísticas e a criação do personagem “Super-Gambá” (Figura 2), que representa, de forma simbólica e acessível, os “superpoderes” ecológicos desse animal.

Figura 2: Desenho elaborado por criança participante do projeto “Super-Gambá: herói da natureza”. Fonte: Autoras (2025).
Como recurso didático complementar, também é utilizado um exemplar taxidermizado (Figura 3), permitindo a observação direta das características morfológicas do gambá e ampliando a compreensão sobre sua biologia. Vídeos e outros materiais visuais também são utilizados para tornar o aprendizado mais dinâmico, integrando ciência, arte e meio ambiente.

Figura 3: Exemplar taxidermizado de gambá utilizado como recurso didático nas atividades do projeto “Super-Gambá: herói da natureza”. Fonte: Autoras (2025).
Em conjunto as atividades conduzidas possibilitam que as crianças compreendam, de maneira simples e divertida, o papel dos gambás no meio ambiente. Desta forma, o projeto “Super-Gambá” reforça o papel do GEAS e do IFMG no desenvolvimento de ações extensionistas que aproximam o conhecimento científico da comunidade, promovendo a educação ambiental, a cidadania e o compromisso com a conservação da biodiversidade.
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