Quarta, 07 Julho 2021 20:18

Jack Responde: Desvendando as vacinas contra COVID-19

Descrição de imagem: Desenho do jacaré Jack, mascote do IFMG Campus Bambuí, vestido de jaleco, máscara e sapato brancos e está segurando uma seringa. Descrição de imagem: Desenho do jacaré Jack, mascote do IFMG Campus Bambuí, vestido de jaleco, máscara e sapato brancos e está segurando uma seringa.

Olá pessoal,

Inicio a minha seção respondendo as dúvidas dos meus queridos leitores! Recentemente o Eduardo Pereira Jacques, de Pará de Minas (MG) me perguntou sobre os efeitos colaterais de cada vacina contra COVID-19 e se há algum perigo. Para responder sobre este tema atual, eu pedi auxílio para a minha amiga Amanda Soriano Araújo Barezani, médica veterinária, bióloga e professora de Imunologia do IFMG Campus Bambuí, para me ajudar a desvendar este assunto que escuto frequentemente:

Por que algumas vacinas contra a COVID-19 podem dar mais reação que outras?

Por Amanda Soriano Araújo Barezani (amanda.barezani@ifmg.edu.br)

Todas as vacinas contra a COVID-19 até agora recomendadas pela Organização Mundial de Saúde são capazes de causar os mesmos efeitos colaterais: dor e/ou inchaço no local da injeção; cansaço; dor de cabeça e muscular; febre e calafrios e diarreia, efeitos semelhantes aos de quaisquer outras vacinas, como, por exemplo, a da gripe. Isso ocorre porque as vacinas tentam imitar a infecção natural pelo coronavírus a fim de chamar atenção e “ligar/ativar” o sistema de defesa do organismo, sem, contudo, causar os efeitos graves da doença responsáveis pelas hospitalizações e mortes. Mas por que algumas vacinas têm efeitos colaterais mais intensos que outras se todas são contra o mesmo vírus?

A chave para responder esta pergunta está na tecnologia usada para fabricar cada uma delas. No Brasil, vacinas envolvendo três tipos tecnologia estão aprovadas para uso: (1) inativadas, (2) de vetor viral vivo e, (3) de RNA mensageiro (RNAm). Cada uma é capaz de provocar o nosso sistema imune de maneira distinta, já que elas não têm os mesmos componentes em suas fórmulas.

A vacina Coronavac, produzida pelo Instituto Butantan em parceria com a farmacêutica chinesa Sinovac, contém em sua formulação a partícula completa do vírus, mas que passou por um processo de inativação. Ou seja, ela contém o próprio coronavírus, mas ele está “morto”, incapaz de entrar sozinho em uma célula, infectá-la e causar a doença. Assim, este tipo de vacina inativada chama menos atenção das células de defesa e ativa o sistema imune de maneira mais fraca. Por isso, seus efeitos colaterais, geralmente, são mais leves. As células de defesa utilizam o vírus morto como molde para produzir proteínas de reconhecimento do coronavírus vivo, pois eles têm a mesma estrutura. Essas proteínas, chamadas de anticorpos, quando encontram com o coronavírus vivo, pode se ligar a ele e inativá-lo.

Já a vacina de RNAm (Pfizer/BioNtech) não contém nenhuma estrutura do vírus, somente seu código genético (RNAm sintético). Esse código funciona como uma receita com instruções de como as próprias células da pessoa vacinada poderão fazer cópias da principal proteína indutora de anticorpos neutralizantes do coronavírus, a proteína S. É como se elas mostrassem às células de defesa um “retrato falado” dessa proteína, indicando quem elas deverão atacar. Como não há contato com o vírus, os efeitos colaterais são leves.

Já as vacinas de vetor viral como a Covishield (Astrazenca/Oxford), são vacinas que contém vírus vivo. Veja bem: elas contêm um adenovírus vivo (causador de um resfriado comum) e não um coronavírus vivo! Esses adenovírus funcionam como cavalo de Troia, carregando dentro de si o código genético com as instruções de síntese da proteína S, mas que, por estarem dentro de um vírus vivo, serão jogados dentro de uma célula, ativando não só a produção de anticorpos, como também sistemas de defesa intracelulares. Como a infecção pelo vetor viral é mais parecida com a infecção natural, ela faz com que nosso sistema de defesa se ative de uma maneira mais forte. Como provocam mais o sistema imune, podem ser responsáveis por reações mais graves como a trombose venosa profunda. Mas esta não deve ser uma desculpa para não se vacinar já que a escolha é fácil: o risco de desenvolver trombose pela vacina é de 1 em cada 250 mil vacinados contra o risco de trombose em pessoas com COVID-19, 1 em cada 4 pacientes internados no CTI com infecção grave. Além disso, elas costumam apresentar melhor eficácia do que as inativadas.

Vale lembrar que se a pessoa vacinada não teve reação, não significa que a vacina não fez efeito e, que por não conter o coronavírus vivo, é impossível pegar a COVID-19 por meio das vacinas. Elas só são contraindicadas para pessoas com histórico de reações alérgicas graves a componentes da vacina e, no caso de crianças com menos de 16 anos, grávidas e em pacientes imunossuprimidos ou com doenças autoimunes só devem ser feitas após avaliação e autorização médica. O esquema abaixo resume as informações descritas.

 


Arte gráfica gentilmente cedida por Isadora Teles Camilo, aluna da turma 01 do curso de Medicina Veterinária do IFMG - Campus Bambuí.

 

Acho que depois desta excelente explicação não restará mais dúvidas sobre a diferença entre as vacinas. Não vejo a hora de todos vocês se vacinarem, então lembrem-se: vacina boa é vacina no braço. Ficaram com alguma dúvida? É só enviarem suas perguntas para ifmgcomciencia.bambui@ifmg.edu.br. Até mais.

 

Última modificação em Quinta, 20 Outubro 2022 19:01

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