Jack Responde: O que são terras raras e por que são tão importantes para o Brasil?
Olá, caros leitores!
No texto desta semana publicamos um texto respondendo a uma pergunta enviada por um leitor que gostaria de saber o que são terras raras e por que são tão importantes para o Brasil. Para nos ajudar a responder, contaremos com a colaboração do professor do Núcleo de Química, Claudimar Junker.
Jack Responde: O que são terras raras e por que são tão importantes para o Brasil?
Por Claudimar Junker (claudimar.junker@ifmg.edu.br)
Recentemente, o termo “terras raras” conquistou espaço na mídia, em especial no noticiário envolvendo a Ucrânia e Rússia e também referente às tarifas impostas pelos Estados Unidos da América (EUA) sobre produtos importados do Brasil.
Mas afinal, o que são terras raras? São 17 elementos químicos dos quais 15 pertencem ao grupo dos lantanídeos, ou seja, do Lantânio (La) ao Lutécio (Lu), e também os elementos Escândio (Sc) e Ítrio (Y).

Figura 1: Tabela periódica com destaque para as terras raras, em cor laranja.
Fonte: autor.
Apesar do nome, as terras raras existem em maior quantidade que o ouro e ocorrem em todo o mundo. O status corresponde, na verdade, às limitações para obter os elementos puros dos minerais onde se acumulam. O Brasil detém uma das maiores reservas do mundo, atrás apenas da China, que possui a maior capacidade de mineração. Mesmo países desenvolvidos, como os EUA, enviam minérios para o país asiático, onde ocorre o processo de refinamento. A elevada mão de obra disponível e de baixo custo e, também, legislação ambiental menos exigente, colocou a China como protagonista na exploração dos minerais que são comercializados com preços mais baixos no mercado internacional.
As terras raras são muito utilizadas na produção de tablets, smartphones, turbinas eólicas, equipamentos utilizados na medicina e na indústria bélica, como a produção de radares, drones militares e mísseis de precisão que suportam alta temperatura. Sendo assim, estes elementos se tornaram uma verdadeira arma geopolítica, uma vez que estão diretamente ligados à transição energética, como a produção de energia eólica e motores elétricos, mas também em assuntos relacionados à defesa nacional.
Em abril deste ano, os EUA e Ucrânia assinaram um acordo histórico que prevê a exploração de vários minerais, incluindo terras raras, em solo do país europeu. Esta seria uma exigência do atual governo Trump em troca das ações realizadas por um acordo para encerrar a guerra com a Rússia. Isso porque, muito recentemente, o governo americano impôs elevadas tarifas aos produtos importados da China, que por sua vez limitou a quantidade de terras raras exportadas aos EUA. Assim, a exploração de recursos naturais ucranianos minimizaria o impacto causado pela menor disponibilidade de terras raras fornecidas pela China.
O Brasil já explorou terras raras, sendo considerado o maior produtor até 1915, quando foi superado pela Índia. Em 1990, a produção nacional foi encerrada, assim como em diversos outros países que se tornaram importadores da matéria prima. As maiores reservas identificadas encontram-se nos estados de Minas Gerais, nas cidades de Araxá e Poços de Caldas, e também em Goiás, na cidade de Catalão. Há reservas também na região amazônica.
Assim como a China, o Brasil também foi afetado por barreiras tarifárias impostas pelos EUA, o que pode ser visto como uma maneira do governo americano pressionar o Brasil pela exploração de terras raras. Assim, esta matéria prima pode ser utilizada como ativo geopolítico pelo Brasil em uma nova economia global, com foco na transição energética e contribuição para o desenvolvimento de tecnologia. Contudo, novos acordos devem ser traçados com estratégia para uma exploração que respeite a legislação ambiental e promova políticas de desenvolvimento da indústria nacional. Do contrário, o país continuará a ser mero fornecedor de matéria prima, a ser beneficiada no exterior e, posteriormente, adquirida a custo elevado.
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